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| Foto: Eduardo Maia/Assecom ALRN |
A polícia trata a
febre, mas é preciso atacar a infecção e a origem da doença, que estão no
planejamento, na administração e no desenvolvimento econômico. O Governo começou
bem intencionado, com um discurso positivo e palavras afirmativas no setor onde
o Estado mais se ressente de suas carências: segurança. Mas, chegou um momento
em que “otimismo”, “motivação” e “sonhos”, palavras muito usadas pelo
Governador, não servem mais de anestesia para os problemas reais do cotidiano
do cidadão. Acudir delegacias, entusiasmar e cobrar mais da polícia foram
remédios para a febre. E, todo mundo sabe: baixar a febre é importante, mas não
adianta só isso. É preciso tratar a origem da doença. A insegurança que as
pessoas sentem nas ruas do Rio Grande do Norte é o sintoma de uma enfermidade
que está instalada em setores anteriores ao da Segurança Pública: o
Planejamento, a Administração e o Desenvolvimento Econômico. O foco para
melhorar a segurança é trabalhar fortemente a reformulação e recuperação da
máquina pública Estadual. Enxergar as travas. Diagnosticar os vícios. Promover
as rupturas necessárias. Destronar os poucos que se beneficiam com o desmantelo
do planejamento para ajudar os muitos que se prejudicam com a falta dele. Quando
esses setores estiverem, de verdade, controlando o Estado, equilibrando os
recursos, dosando as prioridades, aí o encadeamento estará produzindo
resultados lá na ponta, em áreas como a Segurança Pública. Nada que se faça,
neste momento, na área de segurança, de forma isolada, pontual, ou com objetivo
meramente de marketing, como o Ronda Cidadã, vai conseguir, de verdade, conter
o avanço dos índices negativos de violência. Pode até atenuar o medo por alguns
momentos. Mas, depois, sem o alicerce da gestão focada no Planejamento, na
Administração e geração econômica de longo prazo, o caos volta de novo. A
Segurança não produz insumos nem tem os mecanismos que os geram. Ela apenas
consome. Como a necessidade de proteção da população está demandando mais
insumos do que o Governo pode enviar - este ou qualquer outro Governo - é
preciso investir em ações com olhar de longo prazo. Segurança, Saúde, Educação
e outros serviços públicos estão sofrendo as consequências da falência geral do
Estado. O problema é mais profundo e maior do que a leitura e as ações que o Governo
tem feito até o momento. Vidas estão sendo perdidas. Segurar a febre é
importante, mas vale pouco se não houver combate à infecção.


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