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| Foto: Reprodução |
Em
reunião ordinária realizada quinta-feira última (03), o Conselho Consultivo da
Floresta Nacional (FLONA), gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade (ICMbio), em Assú, aprovou uma Moção de Repúdio.
A
manifestação de protesto é contra a passagem da Linha de Transmissão de 500 kV
Açu III-João Câmara III pelo setor de expansão da reserva ecológica e o
perímetro no seu entorno.
Assinam
o documento o presidente do colegiado e gestor da reserva ambiental, biólogo
Mauro Guimarães, e os representantes das seguintes entidades/instituições: 1ª Igreja
Batista da Convenção de Assú; Associação de Porto Piató; ONG Carnaúba Viva;
Unidade de Campo da Bacia do Assú do DNOCS; EMPARN; Escola Estadual Juscelino
Kubitschek; EMATER/RN; Prefeitura Municipal do Assú; CDL-Assú; Centro
Comunitário União (Associação do bairro Alto São Francisco); e, campus
Ipanguaçu do IFRN.
A
Moção de Repúdio – cuja cópia será remetida ao IDEMA/RN e ao Ministério Público
Federal – possui a seguinte redação:
O Conselho
Consultivo da Floresta Nacional de Açu, composto por 16 instituições públicas e
privadas da sociedade civil, em reunião plenária realizada no dia 03 de
setembro de 2015, deliberou REPUDIAR a passagem da Linha de Transmissão de 500
kV Açu III – João Câmara III, pela área de ampliação e zona de entorno da
Floresta Nacional de Açu. O projeto da Empresa CYMI MASA, através de sua
subsidiária Esperanza Transmissora de Energia S.A., está sendo licenciado pelo
Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do RN-IDEMA. Caso a
Linha de Transmissão passe pela zona de entorno e a futura área de ampliação da
Floresta Nacional de Açu, causará danos à fauna e à flora locais,
descaracterizando os atributos ecológicos, cênicos e paisagísticos da Caatinga
nesta Unidade de Conservação, inviabilizando sua existência. O Conselho entende
que, mesmo os empreendimentos de grande relevância para a sociedade, como a
produção e transmissão de energia, devem compatibilizar seus projetos com a
proteção ambiental, devendo buscar todas as alternativas possíveis para evitar
danos aos ecossistemas e às Unidades de Conservação. A Floresta Nacional de Açu
presta relevantes serviços ambientais na região, protege a biodiversidade e
fiscaliza ilícitos ambientais no seu entorno, além de apoiar a pesquisa
científica, promover atividades de educação ambiental e eventos de lazer e
recreação em contato com a natureza na cidade de Assú. Ressaltamos que o Bioma
Caatinga é o mais carente de unidades de conservação, sendo que este, devido
aos impactos do desmatamento, vem sofrendo com o aumento da desertificação e
perda de biodiversidade. A passagem da LT ocasionará a fragmentação do habitat
do corredor ecológico que liga a UC à Lagoa do Piató, importante recurso
hídrico para a fauna local, fragilizando o equilíbrio do ecossistema. O
Conselho fundamenta a presente moção na Constituição Federal, art. 225, que
prescreve: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem
de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes
e futuras gerações”.


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