![]() |
| Imagem: Ilustração |
Também
estão entre os denunciados o policial militar reformado Sildaire Gregório da
Silva (“Sid”) e o cabo da PM/RN Aldenir Garcia Silva (conhecido como “Careca”).
Segundo
o MPF, o grupo era dividido em dois núcleos de atuação.
O
primeiro operacionalizava o escoamento, escolta e guarda dos produtos
contrabandeados.
Já
o segundo núcleo realizava as operações financeiras para ocultar a origem e destino
dos recursos, cita informação da assessoria de imprensa do MPF.
A
investigação – com base em interceptações telefônicas, conversas em aplicativos
de mensagens e planilhas financeiras – revelou a “plena estabilidade, clara divisão de tarefas e busca de perenidade na
atuação da organização criminosa, que se valia do emprego de armas de fogo, de
atuação transnacional e da participação de servidores públicos”.
Dados
obtidos no Inquérito Policial dão a dimensão da Orcrim: em aproximadamente 18
meses, foram movimentados mais de R$ 16 milhões, por intermédio de pessoas
físicas e jurídicas.
Na
tentativa de recuperar uma carga roubada em alto-mar, em 2017, o grupo chegou a
alugar um helicóptero.
A
organização contava com pessoal armado no acompanhamento de cargas, a falta de
fiscalização nas rodovias e eventual apoio das forças policiais para escoar os
produtos para várias cidades, como Fortaleza (CE), Natal (RN) e São Paulo (SP).
O
MPF aponta que o tenente-coronel Fernandes – preso pela Operação Níquel em janeiro e inserido no Sistema Penitenciário
Federal – “é o líder e comandante da
organização criminosa armada, com total domínio financeiro e operacional das
atividades”.
A
denúncia comprova que ele “se valia do
próprio efetivo policial do interior do Rio Grande do Norte para blindar sua
organização e evitar que terceiros subtraíssem a mercadoria do grupo”.
Em
celular apreendido na residência do tenente-coronel, conversas em grupo no
aplicativo WhatsApp, com participação dos líderes, revelaram detalhes da
operação.
Os
integrantes “possuíam doutrina de sigilo,
com alertas sobre eventual acesso por parte da polícia do conteúdo das
mensagens trocadas”.
Para
se blindar de investigações, os membros da Orcrim evitavam ostentar patrimônio,
se esquivavam ou corrompiam a polícia e buscavam o enfrentamento de criminosos
concorrentes.
Outro
integrante apontado como líder do grupo é Assaf Elias Assaf (conhecido como
“Gringo” ou “Libanês”). Com base em Foz do Iguaçu (PR), ele era responsável
pelo financiamento e coordenação do fornecimento de cigarros.
Os
demais denunciados são: Leonardo Aparecido do Vale, Julierme Rodrigues de
Souza, Thiago Bruno de Queiroz, José Raimundo Correa Moraes (“Pescada”), Tony
Edson Ramos Agostinho Silva, Luciana de Souza Araújo Silva, Jardson da Silva
(“Gago”) e Rameca do Nascimento Silva.
Eles
devem responder pelo crime de organização criminosa armada (art. 2º da Lei nº 12.850/2013),
com pena de reclusão de três a oito anos, agravada pelo uso de armas de fogo e
envolvimento de funcionários públicos.
A
pena do tenente-coronel Fernandes ainda é aumentada pelo papel de liderança da
Orcrim.
O
grupo também é denunciado pelo crime de contrabando (art. 334-A do Código
Penal).
A
denúncia tramita na 2ª Vara da Justiça Federal no RN, sob o nº
0800675-70.2020.4.05.8400.
A
organização criminosa passou a ser investigada com o compartilhamento de provas
obtidas pelo Ministério Público do RN (MPRN) e pela Força Nacional, no âmbito
das operações Limpidare e Caronte, que apuram mais de uma centena
de mortes violentas em Ceará-Mirim (RN).
Em
janeiro, o grupo foi alvo de sete mandados de prisão preventiva e 16 de busca e
apreensão cumpridos em Natal (RN), São Paulo (SP) e Abaetetuba (PA).
Na
ocasião, a Polícia Federal (PF) apreendeu cigarros contrabandeados, armas de
fogo, munições e elevada quantia em dinheiro.


Nenhum comentário:
Postar um comentário