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| Zelito Coringa/Reprodução |
O
carnaubaense Zelito Coringa, um dos talentos musicais do Vale do Açu, encaminha
ao blog um e-mail sob o título “Manifesto de Pesar Absoluto” para publicação.
Zelito
foi eleito em novembro de 2015 durante o Fórum Nacional das Artes, ocorrido no
RJ, conselheiro titular do Setorial de Música do Conselho Nacional de Políticas
Culturais, órgão ligado ao Ministério da Cultura.
Tal
organismo institucional reúne 15 membros e Zelito é um dos quatro legítimos
representantes do Nordeste no colegiado.
Dentre
os integrantes do Conselho estão músicos do porte do baterista Téo Lima,
representando o estado do RJ, que atualmente produz o trabalho de premiado Ivan
Lins.
Zelito
Coringa transmite que, em breve, pretende começar uma mobilização com músicos
da região do Vale e adjacências, tendo em vista a proposta de realização de um Fórum
Regional.
Abaixo,
a íntegra do “Manifesto de Pesar Absoluto”:
O que já não se
encontra em plano nenhum da maioria das cidades potiguares, em orçamento nenhum
das indigestas secretarias existentes, vira alvo de corte profundo movido pelo
apelo midiático da crise, surge como fantasma no labirinto obscuro dos
gabinetes e começa a assustar os artistas, produtores culturais em plena luz do
dia. Esse mesmo filme já foi rodado aqui em Carnaubais-RN, com desrespeito aos
astros que a nossa modesta cultura popular já produziu com naturalidade: Desde
a grande cantora do rádio Núbia Lafayette, do violonista 07 cordas Francilúzio
Martins, do Brincante de Boi Bumbá Mané Tatú, dos Seresteiros Solteirinho,
Chiquinho Domingos, dentre tantos outros que em vida se arvoram nas veredas do fazer
artístico. Nascido neste pequeno município da riquíssima região cultural do
Vale do Açu, disse não a extinção da Secretaria Municipal de Cultura, ocasião
em que pouquíssimas vozes da inteligência varzeana ressoaram contrárias ao
equívoco cometido pelo prefeito da cidade, confirmando aqui nesta ribeira a desfaçatez
e sutileza sustentada no paradoxo do falacioso, controverso, mercantilista, que
descumpre o direito constitucional misturando no mesmo liquidificador o faz de
conta com a subserviência posta de plantão. Nesse momento deixo registrado esse
novo manifesto de pesar absoluto, agora no rumo da capital do Oeste, de forma
livre, imune à motivação partidária, como conselheiro do Setorial de Música,
membro titular do CNPC Conselho Nacional de Políticas Culturais, músico e
cidadão potiguar, digo não a este atual surto antipopular e ditatorial que vem
tratando o direito do nosso povo ter acesso à cultura com mero descaso a
constituição. Posiciono-me fortemente a favor de uma grande mobilização para
dizer não a esse ato de mutilação dos esperançosos artistas de Mossoró-RN, que
também acabam de perder a Secretaria de Cultura. Precisamos motivar a cidade do
espetáculo Chuvas de Bala, do Teatro Lauro Monte Filho, do Sal Grosso e
Refinado, da efervescência cênica do Pão Doce, Máscara, Escarcéu e Tarará, da
canção de Elizeu Ventania, dos versos de Antonio Francisco, das proezas de Luiz
Campos, das criações de Rogério Dias, da Areografia de Marcelo Morais, das
atuações de Ludimila Albuquerque, das composições de Mazinho Viana, do baião do
Brazuka Jazz, do canto das Liras e do Vina, do coco de Concriz e Zé Ribamar,
dos poetas novos e da Poema, dos livros de Celina Duarte, da Coleção
Mossoroense, das cantigas marejadas de Genildo Costa, das aventuras de Diego
Ventura, das esculturas de Escravo da Arte, de Jonas Filhos, Netinho, legião
dos cantores e cantoras da praça de convivência, do sábado no Sêbado, Triângulo
do Trio Mossoró, do Ecoart e do Violão e Arte, do memorial da resistência, das
pegadas de Lampião, do Cultura que não é vento e a corajosa iniciativa do
Cultura Viva que faz frente a esse sentimento. Abraço a todos vocês talentosos
músicos e demais artistas locais, vamos ecoar esse grito coletivamente, juntarmos
as mãos, expor nos meios de comunicação esse retrocesso cultural, dando um
exemplo de civilidade, armando a bandeira criativa para o debate construtivo,
afinando as violas do repente para o desafio, unindo os textos dos cronistas
para as redes sociais, dos personagens falantes para as palavras de ordem, da
presença marcante das personalidades culturais para o fortalecimento dos fóruns
e conselhos. Não deixar de perguntar em que pé está o Plano Estadual de
Cultura, as adesões, os acordos, as leis de incentivo e os editais? Unir nessa
luta todos os setoriais, misturando os pincéis e as tintas para o manifesto pacífico,
acordando o conto dos cordelistas para o confronto metrificado, dos resistentes
malabaristas para o abre alas dos becos, dos capoeiristas para encenação firme
da defesa, chamando os amantes de todas às artes para o cortejo em praça
pública, botando literalmente o circo na rua. Não vamos deixar que esse vírus
exterminador de sonho e protagonismo se reproduza no restante das cidades
brasileiras. Estamos vivos e avante. Viva o movimento Cultura Viva na terra do
Auto da Liberdade.


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