O
Ministério Público do RN, por meio de seu Procurador-Geral de Justiça (PGJ), ajuizou
três denúncias contra prefeitos neste mês de dezembro em razão de fraudes em
licitações, segundo informação veiculada pelo portal virtual do MPRN.
A
primeira denúncia, protocolada sob nº 2014.022782-9, aponta irregularidades no
processo de dispensa de licitação para contratar empresa de pavimentação de
ruas no município de Pendências.
Segundo
o MPRN, no ano de 2013 os denunciados Ivan de Souza Padilha (PMDB), prefeito da
cidade, e José Adailton Barbosa de Souza, auxiliados pelos integrantes da
Comissão Permanente de Licitação (CPL), dispensaram licitação fora das
hipóteses previstas em lei, para contratação da Construtora Jales Ltda.
(Conjal), no valor global de R$ 1.708.485,43.
Nessa
mesma denúncia, Lamark Bezerra de Araújo, representante da empresa Pioneira –
W.L. Prestadora de Serviços Ltda.-ME, e José de Anchieta Fonseca, representante
da empresa Anchieta & Fonseca Ltda., colaboraram para a ocorrência do
“simulacro” que foi a pesquisa mercadológica que justificou a escolha da Conjal
como contratada pela Prefeitura de Pendências.
Para
“justificar” a dispensa de licitação, o município de Pendências indicou como
base legal o art. 24, IV, da Lei Federal n° 8.666/93, e o Decreto Estadual nº 23.288/2013
(estado de emergência em decorrência da seca).
Na
denúncia, registrou o MPRN que a obra objeto do procedimento de Dispensa de
Licitação nº 022/2013 não guardou efetivamente qualquer relação, ainda que
tangencial, com o estado de emergência enfrentado pelo município de Pendências,
visto que não se prestou a minimizar e/ou reparar consequências geradas pela
escassez de chuva naquela localidade.
A
segunda denúncia, também de Pendências, registrada sob nº 2014.026196-2,
descreve que, nos anos de 2010 e 2011, o denunciado Ivan de Souza Padilha, com
o auxílio dos integrantes da CPL, fraudaram, mediante ajuste e falsificação de
documentos, o caráter competitivo dos procedimentos licitatórios, na modalidade
Convite, registrados sob os nº 014/2010 e nº 012/2011, com o intuito de
beneficiar o denunciado Breno Padilha de Lima, por meio da contratação da
empresa Breno Padilha de Lima-ME (Proxy Informática e Consultoria), com a
adjudicação dos serviços de assessoramento e de manutenção nos computadores
existentes no prédio onde funciona a sede da Prefeitura.
Nesse
caso, foi utilizado o nome de outra empresa, para atender o quórum mínimo
exigido para a modalidade convite, o que foi operacionalizado através da
“fabricação” da proposta de preços, das declarações atinentes à fase de
habilitação e das assinaturas apostas nestes e em outros documentos.
Ainda,
segundo a denúncia, as condutas ilícitas verificadas não se limitaram apenas ao
Convite nº 014/2010, tendo em vista que, com o aprofundamento das apurações,
constatou o mesmo modus operandi utilizado, empregado para fraudar o caráter
competitivo do procedimento licitatório Convite nº 012/2011, para também
beneficiar o denunciado Breno Padilha de Lima, através da contratação da Proxy
Informática e Consultoria, com a adjudicação dos serviços de consultoria e
manutenção nos computadores existentes no prédio da sede da Prefeitura local.
A
terceira denúncia ajuizada foi em desfavor do prefeito de Jucurutu, George
Retlen Costa Queiroz (PMDB), e descreve que em abril de 2013, o prefeito, em
unidade de desígnios e auxiliado por Joelma de Fátima Lopes de Medeiros, presidente
da CPL, inexigiu licitação fora das hipóteses previstas em lei, para
contratação da empresa Petra Engenharia e Arquitetura Ltda., representada pelo
seu proprietário José Aroldo Queiroga de Morais, incorrendo no crime tipificado
no art. 89, caput, da Lei Federal nº 8.666/93.
Em
razão da referida contratação direta, o denunciado José Aroldo Queiroga de
Morais se beneficiou quando a empresa Petra Engenharia e Arquitetura Ltda., da
qual é sócio, celebrou contrato ilegal com o município de Jucurutu.


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