quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Dados: Crime por homofobia no Brasil é 80 vezes maior do que no Chile

Luiz Mott
Enquanto no Chile, onde a população total é quase 18 milhões de pessoas, ocorreram quatro assassinatos de transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais ou gays (LGBT) no ano passado, no Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, o número foi 313 homicídios, segundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia (GGB).
“Comparei esses índices e vi que a chance de um LGBT ser assassinado aqui é 80 vezes maior”, explicou o antropólogo Luiz Mott, um dos pioneiros do movimento no país, segundo reportagem de Carolina Gonçalves publicada pela Agência Brasil.
Luiz Mott é o responsável pela pesquisa feita há mais de dez anos e baseada em notícias divulgadas pela imprensa e denúncias coletadas principalmente em cidades do interior do país, onde as estruturas de garantia de direitos humanos é mais precária.
Segundo ele, 44% dos casos de homofobia letal identificados em todo o mundo ocorrem em território brasileiro.
Só no último mês foram registradas 16 ocorrências.
De janeiro até o final de setembro, foram 218 mortes de LGBT no país, dos quais 71 por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis apedrejados, entre outros.
Apesar dos números apontarem que a maior parte dos casos envolve gays (124), Luiz Mott explicou que os transexuais são, proporcionalmente, os mais afetados pelos crimes.
“Enquanto os gays representam 10% da população, cerca de 20 milhões, as travestis não chegam a um milhão e têm número de assassinatos quase igual ao de gays”, ressaltou.
Este ano, 84 travestis foram assassinadas, número bem superior ao de lésbicas (cinco) e bissexuais (dois).

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