sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

João Pedro Stédile: Governo Dilma foi 'bundão' em relação à reforma agrária

João Pedro Stédile
 O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que acaba de completar 30 anos e fará na semana que vem o seu sexto congresso, reformulou a sua proposta de reforma agrária, depois de dois anos e meio de debates, no que João Pedro Stédile, da coordenação nacional, chama de "constituinte".
O programa a ser apresentado à sociedade traz uma proposta de reforma agrária que "extrapola os sem-terra".
O avanço do agronegócio leva o MST a formular um projeto que leva em conta não só a distribuição de terra, como a questão produtiva.
Isso ocorre em um momento de "letargia" da reforma agrária, em parte pelo avanço do capital, mas também pela postura do governo.
O diagnóstico de Stédile não tem meio-termo: "O governo Dilma foi bundão na reforma agrária”.
A reportagem é de Vitor Nuzzi, publicada pela Rede Brasil Atual
O comentário vem após um questionamento sobre a posição do movimento nas eleições.
"É nossa obrigação criticar o governo Dilma. Como diria dom Pedro Casaldáliga, se nós do MST nos calarmos, as pedras vão falar por nós. O governo sabe que tem dívida conosco", afirma Stédile.
Ele afirma que o MST não tem nem indica candidatos, embora a base tradicionalmente vote em nomes posicionados mais à esquerda.
Apenas observa que "votar contra os tucanos é obrigação".
Pelo perfil ideológico, Stédile considera que o perfil do governo Dilma é de composição mais à direita.
"Lula tinha seu carisma e impunha certas condições à burguesia”, declarou.

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