No
período de 1986 a 1997, foram registradas 244 mortes por suicídio entre os
Guarani-Kaiowá do Estado de MS, número que praticamente triplicou na última
década.
De
2000 a 2013 foram 684 casos, conforme reportagem de Carolina Fasolo, publicada
pelo portal do Cimi.
No
dia 03 de abril, quando amanheceu em uma aldeia Guarani-Kaiowá, localizada no
sul do MS, a mãe de três filhos abriu a porta de casa e paralisou ao ver o
corpo frágil de sua menina mais nova suspenso pelo lençol, amarrado à árvore
por um nó que parecia firme.
No
dia anterior, a garota havia completado 13 anos.
“A mãe disse que ela chegou da escola muito
triste e reclamando de dores na cabeça”, conta Otoniel, liderança
Guarani-Kaiowá.
“Depois que todos foram dormir ela amarrou o
lençol na árvore e se matou. Um primo dela de 12 anos tinha se enforcado uma
semana antes. E uns dias depois que ela morreu outro adolescente, de 16 anos,
também se suicidou na mesma aldeia. Fui até lá para saber o que estava
acontecendo”, relatou.
Os
três enforcamentos em menos de duas semanas fazem parte de uma estatística que
no ano de 2013 ganhou contornos históricos.
Foram
contabilizados 73 casos de suicídios entre os indígenas de MS.
De
acordo com registros do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), é o maior
número em 28 anos.
Os dados, apurados pelo Distrito Sanitário
Especial Indígena (DSEI/MS), constam no Relatório
de Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil, a ser divulgado pelo Cimi
em junho.
Dos
73 indígenas mortos, 72 eram do povo Guarani-Kaiowá, a maioria com idade entre
15 e 30 anos.


Nenhum comentário:
Postar um comentário