Quando
o PT entra no seu 12º ano de governo, um grupo que costumava militar ao seu
lado começa a sentir que tem sido colocado cada vez mais para escanteio.
Parte
dos militantes da esquerda brasileira está se distanciando do petismo, mas
também se sentem órfãos por não terem em quem se sustentar no atual cenário
político, onde as maiorias dos partidos são de centro ou de uma esquerda
radical que quase não tem ressonância na sociedade.
A
reportagem é de Afonso Benites e publicada pelo jornal El País.
O
PT, que segunda-feira (10) comemorou 34 anos, nasceu em meio a um momento de
confrontação com o regime militar.
Agora,
mudou seu espectro.
Para
cientistas políticos e sociólogos, o partido fundado por operários, como o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e intelectuais, como o historiador
Sérgio Buarque de Hollanda, hoje milita na centro-esquerda.
“É o mesmo movimento pelo qual passaram os
partidos de esquerda da Europa. Depois de ficarem no poder por um tempo
acabaram migrando para o centro, só que no Brasil demorou um pouco mais”,
afirmou o cientista político Carlos Ranulfo, professor na Universidade Federal
de MG e coautor do livro A Democracia
Brasileira – Balanço e perspectiva para o século 21.
Essa
migração forçou uma transmutação dos movimentos sociais que sempre acompanharam
os petistas nas urnas e nas ruas.
Os
sindicalistas que eram fortemente representados na esquerdista e oposicionista
Central Única dos Trabalhadores (CUT) se dividiram e se difundiram para vários
outros grupos como a Força Sindical e a Central Geral dos Trabalhadores do
Brasil.
O
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e o Movimento dos
Trabalhadores Sem-Teto (MTST) claramente se distanciaram do governo Dilma
Rousseff.
“Há quem
acredite que o PT se transformou naquilo que ele criticava. Seria uma nova
forma do neoliberalismo. Além disso, ele conseguiu calar quem seriam seus
críticos. A CUT é um caso paradigmático, de movimento de luta que se
transformou em apoiador do governo. Foi cooptada”, afirmou o cientista
político argentino Gonzalo Rojas, que vive há 14 anos no Brasil e leciona na
Universidade Federal de Campina Grande (PB).


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