Da
casa pobre, sem eletricidade, o pescador José Nazário da Silva, de 49 anos, vê
os cata-ventos gigantes, cravados nas dunas de Canoa Quebrada, em Aracati (CE).
Os
geradores de energia eólica estão a 300 metros para lembrar o pescador do
desmatamento que marcou a chegada da usina e dos empregos que a empresa não
trouxe para a região.
Do
outro lado da cidade, no Cumbe, o catador de caranguejos Ronaldo Gonzaga, de 32
anos, aponta para os cabos de energia expostos no Parque Eólico Aracati, com 67
torres, e mostra dunas destruídas por estradas e lugares de onde sítios
arqueológicos foram removidos para dar lugar à geração de energia.
A
reportagem é de Wilson Tosta e publicada pelo jornal O Estado de São Paulo.
A
250 km dali, conselheiros da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Ponta
do Tubarão (RN) exibem uma lagoa seca.
A
água foi retirada para a construção das eólicas Alegria II e Miassaba II,
plantada sobre um talude construído em uma restinga, que dificultou o acesso ao
mar.
Considerada
ambientalmente limpa, por não emitir gases-estufa em sua produção, a energia
eólica virou alvo de protestos de moradores de pequenas comunidades, sobretudo
no litoral dos dois Estados.
Eles
acusam as novas usinas de usar a alegação de produzir energia ecologicamente
correta como pretexto para aterrar dunas, derrubar matas, fechar praias, secar
lagoas.
Os
empregos prometidos, segundo eles, até hoje não apareceram.
E,
como anfitriões das usinas, os moradores dizem nunca ter recebido compensações
significativas e compatíveis com os danos que elas causam ao seu redor.

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