quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

ONU: Lei de Anistia no Brasil é denunciada como 'obstáculo para Justiça'

Navi Pillay
A Organização das Nações Unidas (ONU) denuncia a Lei de Anistia no Brasil como um "obstáculo" para a Justiça e alerta que o texto precisa ser revisto.
O recado é da número um das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navi Pillay.
Em sua avaliação anual sobre direitos humanos e no momento que a ONU marca os 20 anos da Cúpula de Direitos Humanos, a sul-africana fez questão de apontar para o fato de que os trabalhos da Comissão da Verdade precisam ser fortalecidas no Brasil.
Mas alerta que o trabalho do grupo não será suficiente.
A informação é de Jamil Chade, publicada no jornal O Estado de São Paulo.
"Casos precisamos ser levados para a Justiça", declarou alta comissária, em uma coletiva de imprensa segunda-feira (02) na sede da ONU, em Genebra, Suíça.
Navi Pillay demonstrou acompanhar de perto a situação no Brasil e os debates relativos à forma pela qual o País começa a lidar com seu passado.
"Estou preocupada com a permanência em vigor da Lei de Anistia de 1979", declarou.
"A lei é um obstáculo para que a Justiça seja feita às famílias", insistiu.
Na ONU, a lei é vista como um empecilho no tratamento de crimes como tortura.
Em sua avaliação, a criação da Comissão da Verdade no Brasil "é um importante passo inicial".
Mas alerta que o grupo precisa de "mais apoio" do governo para que possa realizar seu trabalho.
Apesar de elogiar a comissão, Pillay insiste que o trabalho no Brasil em relação à ditadura não pode acabar com o mandato da comissão.
"Ele não substitui uma investigação. Casos precisam ser tratados pela Justiça", declarou.

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