Os
líderes católicos do Estado do RN emitiram uma nota sobre as eleições de 2014,
marcada para este domingo (05), em todo o Brasil.
O
documento é assinado pelo arcebispo Metropolitano de Natal, Dom Jaime Vieira
Rocha; o bispo de Caicó, Dom Antônio Carlos Cruz; e, o bispo de Mossoró, Dom
Mariano Manzana.
Abaixo,
a íntegra do documento assinado pelos bispos:
Caríssimos irmãos
e irmãs em Cristo,
Querido Povo de
Deus,
Já se aproxima o
dia 05 de outubro, quando somos convocados a escolher dentre os candidatos, pelo voto livre e soberano, o
presidente da República, o Governador do Estado, um senador e deputados
estaduais e federais, sobre os quais confiaremos os destinos do Brasil e do
Estado pelos próximos quatro anos. Trata-se de um grave desafio que exige
responsabilidade de cada eleitor. Neste instante, nos dirigimos aos cristãos,
em especial, os católicos dos quais nos identificamos como irmãos e pastores.
Todos são
chamados a assumir o seu lugar próprio no enfrentamento deste desafio cidadão.
Assumi-lo com decisão, buscando amparo e luzes nos valores do Evangelho. À Luz
desses valores temos a chance de fazer uma leitura mais adequada da realidade
complexa na qual estamos inseridos.
Temos convicção
de que atentos e fiéis aos valores que emanam do Evangelho, cada eleitor poderá
agir e decidir, fazendo escolhas capazes de gerar novos rumos no mundo da
política brasileira. Há um momento primeiro que não pode ficar fora da pauta do
cidadão que se orienta pela indissociável relação entre fé e vida. Trata-se de
uma discussão ética, ampla e fundamentada, a respeito de candidaturas,
programas de governo e representatividade. A sociedade espera de cada um de nós
o testemunho da fé, que se traduz na vivência do cotidiano, que tem muito a
contribuir para a transformação da vida, com incidências próprias no âmbito
político e partidário.
Os partidos
políticos, assim como as organizações da sociedade civil são indispensáveis à
democracia. São as artérias pelas quais a cidadania constrói, oxigena e
aperfeiçoa a democracia. Criminalizar os partidos políticos e as organizações
da sociedade civil porque seus membros falham, é criminalizar o exercício da
cidadania e, por consequência, mutilar a própria democracia. Deve-se punir,
sim, aqueles indivíduos que se utilizando das instituições cometem crimes contra
a democracia e as conquistas políticas, sociais, econômicas, dentre outras, da
cidadania.
Então, ao fazer
nossas escolhas, é preciso compreender que, ao fazê-las sem critérios,
estaremos gerando um grande prejuízo que incide sobre décadas da história futura
e, de modo ainda mais perverso, no presente, sobre a vida dos mais pobres.
Cada um é
convidado a compreender a política, conforme ensina o Papa Francisco, como uma
das formas mais altas da caridade, porque busca o bem comum. Essa é mais uma
oportunidade de aperfeiçoar a democracia a partir de reflexões, reuniões, voto
consciente contra a corrupção e a favor
da honestidade.
Todo cidadão tem
direito a ser governado e representado por agentes políticos probos, íntegros e
honrados. Este é o momento certo que o processo democrático nos oferece para
garantir à sociedade o seu direito de exercer democraticamente o poder
político, melhorando a representação. Agora é hora privilegiada de cada cidadão
contribuir para qualificar a gestão pública e o serviço à política. Não é tarefa
fácil fazer a melhor escolha.
Por isso,
torna-se indispensável analisar programas e propostas das coligações
partidárias e ponderar elementos, especialmente aqueles de inegociável
sensibilidade social, num momento em que o pobre e o excluído precisam ter
prioridade de tratamento e destinações. Não se pode dispensar o compromisso dos
que têm competência para gerar e garantir dinâmicas de crescimento econômico e
a consequente inclusão social, alargando as conquistas sociais nas áreas da
saúde, educação, assistência social, da agricultura familiar e convivência com
o semiárido.
Por tais razões,
já não é possível se deixar levar por apelos emotivos e falsas promessas dos
candidatos que preferem enganar o eleitor a se comprometer com os graves
problemas que a maioria dos brasileiros, no momento, se encontra submergida.
Basta lembrar como anda a saúde, a educação, a segurança pública e a situação
hídrica que lhe aflige no município em que cada um reside.
Lembremo-nos que
o ato de votar não encerra a nossa participação cidadã, mas requer ainda mais
uma participação de todos na construção de um modelo de Estado republicano,
fundado sob a cidadania, centrado na pessoa e na dignidade humana, onde a
tônica principal do desenvolvimento não seja apenas o mercado e o lucro, mas,
acima de tudo, a comunidade dos cidadãos, alicerçada na defesa e promoção da
justiça, da fraternidade, da igualdade de direitos, da solidariedade, e cuja
prática política esteja plasmada nos valores ética e da promoção e defesa da
vida de cada pessoa, especialmente dos mais pobres e indefesos, as crianças e
idosos.
Por fim, rogamos
ao Senhor Deus que derrame sobre cada eleitor brasileiro e potiguar, o Dom do
Espírito Santo: da sabedoria e da inteligência, do discernimento e da caridade,
a fim de que possamos fazer nossas escolhas amparadas nos princípios do Bem
Comum, da supremacia do interesse público, da justiça social e da paz entre os
povos. Com especial bênção apostólica.
Dom Jaime Vieira
Rocha
Arcebispo de
Natal
Dom Mariano
Manzana
Bispo de Mossoró
Dom Antônio
Carlos Cruz Santos, MSC
Bispo de Caicó


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