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| Luiz Mott |
Enquanto
no Chile, onde a população total é quase 18 milhões de pessoas, ocorreram
quatro assassinatos de transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais ou gays
(LGBT) no ano passado, no Brasil, com mais de 200 milhões de habitantes, o
número foi 313 homicídios, segundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia
(GGB).
“Comparei esses índices e vi que a chance de
um LGBT ser assassinado aqui é 80 vezes maior”, explicou o antropólogo Luiz
Mott, um dos pioneiros do movimento no país, segundo reportagem de Carolina
Gonçalves publicada pela Agência Brasil.
Luiz
Mott é o responsável pela pesquisa feita há mais de dez anos e baseada em
notícias divulgadas pela imprensa e denúncias coletadas principalmente em
cidades do interior do país, onde as estruturas de garantia de direitos humanos
é mais precária.
Segundo
ele, 44% dos casos de homofobia letal identificados em todo o mundo ocorrem em
território brasileiro.
Só
no último mês foram registradas 16 ocorrências.
De
janeiro até o final de setembro, foram 218 mortes de LGBT no país, dos quais 71
por tiros, 70 a facadas, 21 espancados, 20 por asfixia, 11 a pauladas e seis
apedrejados, entre outros.
Apesar
dos números apontarem que a maior parte dos casos envolve gays (124), Luiz Mott
explicou que os transexuais são, proporcionalmente, os mais afetados pelos
crimes.
“Enquanto
os gays representam 10% da população, cerca de 20 milhões, as travestis não
chegam a um milhão e têm número de assassinatos quase igual ao de gays”,
ressaltou.
Este
ano, 84 travestis foram assassinadas, número bem superior ao de lésbicas
(cinco) e bissexuais (dois).


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